“O medo de te perder me corrói inteira por dentro. As palavras mal ditas e o silêncio são para mim como a água é para o ferro. Ela oxida, ela enferruja, ela se alimenta de todo o ferro ali existente. O medo de não ter as suas mãos nas minhas me assombra mais que o céu alaranjado em noites sombrias. Tenho medo de que os meus desejos se tornem vazios, e que o meu amor se enfraqueça como ossos de uma pessoa já vivida. Tenho medo que o tempo não se congele mais no instante em que eu me encontro com o brilho que vem dos teus olhos, esses que você insiste em dizer que são grandes. Ah… Se tu soubesse o quanto eu gosto deles! O quanto eu os enxergo em cada gota de água que vejo… Tenho medo que o sol chegue e queime todo o sentimento, que ele deixe tudo como a caatinga, seca e composta por vegetações independentes e cheias de espinhos. Não quero que a flor de nosso amor se torne um cacto, impossível de se afagar. Não quero que a composição de nossas palavras e de nossos trejeitos se torne apenas mais um rabisco no bloquinho de anotações de minha vida.